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Inventários Gerenciados a Partir da Demanda

Publicado em 31/05/2007 por Luiz de Paiva



Recentemente assisti a um webcast apresentado pela revista Industrial Distribution, com participação da Infor e da Aberdeen. Nesta apresentação são discutidas as mudanças pelas quais a logística passa, saindo de um formato no qual os fabricantes empurram produtos para seus clientes e mercados, e entrando em um formato no qual a demanda é a que puxa a produção e distribuição (cada vez com maior personalização).

Existe uma forte pressão para reduzir os custos sem deixar cair os níveis de serviço, devido à forte competição na maioria dos mercados. Além disso, a busca de novos produtos, mercados e oportunidades pode facilmente gerar excessos de inventário quando algo sai do planejado. Para que se possam atingir os objetivos sem problemas de qualidade ou inventário, devem ser adotados novos modelos de gestão do inventário, como integração da cadeia de suprimento, colaboração (ex: VMI) e planejamento orientado pela demanda. Estas mudanças somente podem ser atingidas com o foco conjunto em tecnologia e processos.

Tradicionalmente, os inventários das empresas passam por um ou mais destes problemas: falta de alinhamento das compras com os objetivos estratégicos, foco na demanda histórica ao invés da demanda prevista e planejamento e verificação do estoques de forma limitada. Isto pode afetar o desempenho financeiro, complicar as operações e retirar parte do valor observado pelos clientes. A chave é que as empresas adotem uma mudança completa na filosofia de gestão de inventários, não se limitando a algumas mudanças nos processos.

A cadeia de suprimento na qual as empresas empurram o produto para o mercado possui as seguintes características:

  • Altos volumes e velocidade de entrega
  • Alta eficiência com baixos níveis de custos
  • Produtos voltados ao mercado de massa
  • Alta confiabilidade da cadeia de suprimento
  • Processos estáticos
  • Gestão automatizada na cadeia.

Ao migrar para um modelo no qual o mercado ou cliente puxam os produtos, ocorre uma mudança drástica nas características das operações:

  • Menores volumes e velocidade de entrega (já que o produto poderá passar por ajustes ou personalização antes de ir para o cliente)
  • Maiores custos para a entrega
  • Produtos voltados a nichos, com maior inovação
  • Cadeias de suprimento devem ser mais flexíveis e ágeis
  • Processos variáveis
  • Maior envolvimento humano na gestão da cadeia

Apesar de representar novos desafios, esta migração na filosofia de gestão de inventário pode levar a diversos benefícios, como:

  • Redução do inventário
  • Maiores níveis de serviço para o cliente
  • Redução de custos e aumento da produtividade com o alinhamento dos processos
  • Melhor antecipação da demanda futura
  • Estabelece bases para a expansão e colaboração.

O planejamento é muito importante na gestão de inventário, mas não deve ser baseado em dados históricos, ou em previsões do próximo elo da cadeia. Empresas que mantém esta forma de trabalho correm sério risco de serem afetadas pelo efeito chicote. Este planejamento deve ser conciliado com as previsões de demanda futura do usuário final (e os diversos fatores que a afetam).

Lembrem-se de alguns pontos importantes: O inventário orientado pela demanda não é uma questão de tecnologia somente. Para facilitar a transição, podem ser definidas metas progressivas e incrementais, que possibilitem às equipes da organização monitorar seus resultados em períodos curtos.

Finalmente, as chaves para esta mudança de filosofia são:

  • Processos adequados
  • Equipes multifuncionais e com autoridade para a tomada de decisão
  • Conhecimento profundo dos dados de performance e mercado
  • Tecnologia que centralize as informações e simule os cenários de negócios
  • Métricas que possibilitem uma integração entre departamentos em torno de objetivos comuns.


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